Previsto para entrar no circuito de cinema brasileiro na última quinta (31/1), o filme “Boy Erased” teve sua estreia cancelada no país, na última sexta-feira. O drama, que conta a história real de um jovem que se submete a um tratamento de ‘cura gay’ nos EUA, sairá agora diretamente no streaming.

A decisão repentina da distribuidora Universal causou revolta na internet. Após um tweet da companhia confirmando o cancelamento, internautas falaram em censura.

O longa é inspirado em livro de memórias homônimo, que saiu no mês passado pela editora Intrínseca. Escrito por Garrard Conley, ele conta os esforços de um adolescente filho de um casal de pastores evangélicos que não aceitam a sua homossexualidade. Por isso, acaba ingressando em um programa religioso com o objetivo de “curar” a sua orientação sexual. Por conta do tema, muitos associaram o cancelamento no país à pressão de grupos conservadores.

Dirigido por Joel Edgerton, o longa conta com elenco estrelado, formado por Russell Crowe e Nicole Kidman, no papel dos pais, e Lucas Hedges como o protagonista.

Os rumores se intensificaram após o autor do livro, Garrard Conley, lamentar o cancelamento em seu perfil no Twitter. Através de sua assessoria no Brasil, a Universal Pictures afirma que não lançará “Boy erased” nos cinemas “única e exclusivamente por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas”.

A assessoria explica ainda que o filme “Bem-vindos a Marwen”, também previsto para este ano, não será lançado pelo mesmo motivo.

Porém, o ativista Mathew Shurka, que trabalhou como consultor do longa e é fundador da organização Born Perfect, que trabalha contra a chamada “terapia de conversão”, acredita que a distribuidora deveria dar mais detalhes sobre o cancelamento. Segundo ele, a decisão corre o risco de abrir precedentes para outros fillmes com temática LGBT não serem distruibuídos por “razões comerciais”.

“Trabalhei de graça no filme, pois a própria produtora disse que ele foi feito para ‘salvar vidas’. Isso quer dizer que, por razões comerciais, a Universal não quer salvar vidas?”

A Intrínseca confirmou que recebeu uma previsão inicial de lançamento para o dia 31 de janeiro. Por isso, distribuiu nas livrarias uma versão do livro “Boy Erased” com uma sobrecapa que faz referência ao filme, ilustrada com seus protagonistas (veja abaixo). Recentemente, porém, a editora foi avisada que o lançamento teria sido adiado para junho, apenas em streaming.

O ator Kevin McHale, famoso pela série “Glee”, usou o Instagram para se posicionar. “Banir um filme sobre terapia de conversão é perigoso! Bolsonaro é uma ameaça Às vidas LGBTQ+. Eu te amo, Brasil, e vou lutar com vocês”, disse o ator.

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