A ideia de que jogos eletrônicos são um tipo de entretenimento voltado para os homens está finalmente se quebrando. Além do aumento de mulheres neste cenário, a introdução de personagens femininos e também LGBTs está em alta nos grandes jogos. É uma oportunidade de usar os games como uma ferramenta positiva contra o preconceito e a homofobia, independente do interesse publicitário pelo tema.

Segundo a Pesquisa Game Brasil, em 2018, o país conta com mais de 60 milhões de pessoas que gostam de passar algum tempo com jogos eletrônicos. As mulheres são o principal destaque neste cenário. Elas representam 58,9% de um total de pessoas que têm os games como hobby. Ou seja, um percentual superior ao sexo masculino.

O mercado responde a isso introduzindo cada vez mais personagens femininos nos principais jogos, abrindo espaço também para outras comunidades. É o caso de Overwatch, da produtora Blizzard, por exemplo. Com mais de 40 milhões de jogadores pelo mundo, o game possui como personagem principal Lena Oxton, conhecida como Tracer. Além de ser mulher, ela acaba sendo representativa também para o universo LGBT, já que ela é homossexual e tem um relacionamento com Emily, outra mulher presente no game.

Recentemente, outro personagem do jogo, desta vez masculino, foi revelado como sendo gay. É o Soldado 76, que também é chamado de Jack Morrison. A ideia da produtora foi trazer para o jogo características do mundo real, ou seja, pessoas com diferentes interesses. É uma forma de ensinar que isso não faz diferença nenhuma na história ou também nas habilidades de um ou de outro.

Outros jogos com personagens gays

Overwatch não foi o primeiro, e certamente não será o último, a ter personagens homossexuais na história. A franquia Mass Effect, por exemplo, foi um sucesso para a Electronic Arts desde 2007. Os três jogos venderam mais de 20 milhões de cópias no mundo, segundo o portal da Voxel. No primeiro deles, você deve escolher entre controlar um homem ou uma mulher como herói. Durante o enredo, independente da escolha, é possível ter um relacionamento com a personagem feminina Liara T’Soni.

A história se repete no premiado The Last of Us, de 2013, que bateu recordes de vendas com mais de 15 milhões de cópias. A heroína Ellie Williams tem uma paixão, e algumas cenas românticas, com a personagem Riley Abel. Inclusive, a cena de beijo entre as duas causou certa polêmica, como mostra a reportagem da Jovem Pan, mas que foi bem aceita entre os principais fãs do game.

Alguns outros jogos também já construíram personagens homossexuais. Críticos afirmam que muitas vezes isso pode ter apenas um objetivo publicitário, já que o tema LGBT sempre é bastante discutido. Porém, como mostra o portal Delirium Nerd, a chance de trazer essa discussão ao mundo dos games é sempre positiva e abre espaço para uma representatividade cultural mais forte.

O cenário no eSports

Além dos personagens dentro dos jogos, o universo LGBT também tem ganhado força com jogadores profissionais. O americano Austin Wilmot, o Muma, é o melhor exemplo disso. Recentemente, ele assumiu ser homossexual e afirmou que deseja apenas jogar profissionalmente, sem qualquer interferência. Ele disputa torneios de eSports do game Overwatch, e faz parte da equipe Houston Outlaws.

Em 2019, Wilmot sonha em conquistar o desejado título da Overwatch League Final, que vai acontecer no final do mês de setembro. No entanto, a equipe de Houston vai precisar desbancar muitos outros times com melhores retrospectos. Segundo números do portal da Betway, no dia 14 de janeiro, o Houston Outlaws tem apenas 1,5% de chance de título, ficando bem atrás de favoritos, como o New York Excelsior e o London Spitfire.

O universo feminino também possui alguma representativa no eSports. Atualmente, alguns campeonatos de Counter-Strike:Global Offensive possuem torneios apenas para mulheres. Em 2018, por exemplo, Brasília organizou uma competição feminina com os principais times nacionais. As disputas aconteceram durante o evento da GameCon.

Esse crescimento da comunidade LGBT e feminina no cenário de jogos eletrônicos precisa ser comemorado, principalmente no Brasil. Independente de ser uma ideia para chamar atenção da mídia, os benefícios de trazer a aceitação para todo o tipo de público sempre será uma boa ideia. É a oportunidade de afastar preconceitos e dar oportunidade, tanto para os personagens fictícios ou jogadores profissionais, de serem o que bem entenderem.

 

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