A síndrome da imunodeficiência adquirida, ou Aids (da sigla em inglês), é uma doença causada pelo HIV (vírus da imunodeficiência adquirida), que ataca o sistema imunológico e deixa o organismo vulnerável a doenças. Embora a infecção já tenha sido encarada como sentença de morte há algumas décadas, a evolução dos tratamentos deu à Aids um status de condição crônica. Ou seja, exige muitos cuidados, mas não impede ninguém de ter uma vida plena e longa.

Como o vírus age no corpo?

O HIV é um retrovírus da subfamília dos Lentiviridae, que se propaga por meio de certos fluidos corporais (sangue, leite materno, sêmen e líquidos secretados durante o sexo). Ele ataca as células T CD4, um tipo de linfócito (glóbulo branco) que ajuda a proteger o organismo de doenças.

Quais são os principais sintomas?

Fase aguda (ou Síndrome Retroviral Aguda)

O período de incubação (tempo da exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sinais) do HIV é de três a seis semanas. Na fase inicial, a replicação é intensa e a carga viral aumenta, assim como o risco de transmissão. A contagem de células CD4 pode chegar a menos de 200 células por mm³ de sangue (em adultos saudáveis, esse valor varia entre 800 a 1.200 unidades). Essa fase é acompanhada por um conjunto de manifestações clínicas, que podem incluir:

  • Febre;
  • Sudorese;
  • Cefaleia;
  • Cansaço (astenia);
  • Dor de garganta;
  • Dores no corpo;
  • Rash cutâneo (Erupções avermelhadas na pele);
  • Aumento dos gânglios linfáticos (ínguas);
  • Aumento do volume do baço;
  • Perda de apetite e de peso;
  • Depressão;
  • Sintomas gastrointestinais (como náuseas, vômitos e diarreia);
  • Feridas na boca.

Em casos raros, a pessoa pode ter meningite ou problemas neurológicos, como a síndrome de Guillan-Barré. Mas a verdade é que, em geral, os sintomas se assemelham aos de uma gripe ou virose e desaparecem sozinhos, por isso a maioria dos casos passa despercebida. Para algumas pessoas, as ínguas e a astenia podem durar vários dias ou mesmo semanas, o que pode estar associado a uma progressão mais rápida da doença.

Fase de latência

O organismo leva de 30 a 60 dias após a infecção para produzir anticorpos anti-HIV (período em que o vírus pode não aparecer no exame), mas, após o processo, a contagem de CD4 volta a subir para mais de 350 céls/mm³. O nível geralmente não retorna ao anterior à infecção, mas o organismo não fica enfraquecido o suficiente, pois os vírus amadurecem e morrem de forma equilibrada. Esse período, que pode durar muitos anos, é chamado de assintomático.

Aids e doenças oportunistas

Se o CD4+ estiver acima de 350 céls/mm³, os episódios infecciosos mais frequentes são geralmente bacterianos, como as infecções respiratórias ou mesmo tuberculose. À medida que a infecção progride e a contagem de células CD4 diminui, pode haver febre baixa, perda de peso, sudorese noturna, fadiga, diarreia crônica, cefaleia, alterações neurológicas, infecções bacterianas (como pneumonia, sinusite, bronquite) frequentes, lesões orais, hepatites virais e herpes-zoster.

– Infecções oportunistas mais comuns: pneumocistose, neurotoxoplasmose, tuberculose pulmonar atípica ou disseminada, meningite criptocócica e retinite por citomegalovírus.

– Tipos de câncer mais comuns: sarcoma de Kaposi (SK), linfoma não Hodgkin, câncer de colo uterino e de borda anal.

O HIV também pode causar doenças por dano direto a certos órgãos ou por processos inflamatórios, tais como miocardiopatia, nefropatia e neuropatias, que podem estar presentes durante toda a evolução da infecção pelo HIV.

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