Uma nova vacina contra o vírus do HIV tem mexido com a comunidade científica internacional. Testada em macacos, a substância induziu a produção de anticorpos contra uma das formas do vírus mais comuns em humanos – o que já é um grande passo para os estudiosos.

Segundo o Science Daily, a nova pesquisa está sendo desenvolvida desde os anos 90 e mostrou o bom resultado da vacina em macacos da espécie rhesus (também conhecido como Macaca mulata). Quando em contato com a substância, seu sistema imunológico começou a produzir anticorpos neutralizantes contra a cepa Tier 2 (a forma viral mais comum nas infecções do HIV em humanos). Além disso, os cientistas também chegaram à primeira estimativa de níveis de anticorpos neutralizantes induzidos pela vacina necessários para proteger contra o HIV.

“Descobrimos que anticorpos neutralizantes que foram induzidos pela vacinação podem proteger os animais contra o vírus que se parece muito com o HIV do mundo real”, diz Dennis Burton, PhD, presidente do Departamento de Imunologia e Microbiologia da Scripps Research. Segundo ele, apesar da vacina ainda estar longe de chegar às pessoas, o estudo fornece uma “luz no caminho” para futuras estratégias contra os causadores da aids.

A equipe testou a vacina em dois grupos de macacos-rhesus. Um estudo anterior usando a mesma substância mostrou que alguns macacos imunizados naturalmente desenvolveram poucos anticorpos neutralizantes em seus sistemas, enquanto outrosresponderam melhor à vacinação. A partir deste estudo, os pesquisadores selecionaram e revacinaram seis macacos de cada grupo. Eles também estudaram 12 primatas não imunizados.

Segundo os cientistas, os animais foram expostos ao chamado SHIV, que é uma versão artificial do HIV, mas que contém a mesma cadeira de moléculas do vírus humano. Apesar de ter uma neutralização difícil, foi verificada a possibilidade de se produzir níveis suficientes de anticorpos para prevenir a infecção.

“Desde que o HIV surgiu, esta é a primeira evidência que temos de proteção baseada em anticorpos contra um vírus ‘Tier 2’ após a vacinação”, disse Matthias Pauthner, pesquisador associado da Scripps Research e co-autor do novo estudo. “A questão que fica agora é saber como podemos obter esses bons resultados em todos os animais.”

Os pesquisadores estão buscando uma estratégia para obter anticorpos amplamente neutralizantes (bnAbs) que possam agir contra muitas cepas do HIV, em vez de uma única, como a descrita nesses estudos. “Esta pesquisa dá uma estimativa dos níveis de bnAbs que podemos precisar na vacinação, a fim de aumentar a proteção contra o HIV em todo o mundo”, diz Burton.

Pauthner afirma que esta é uma descoberta importante, uma vez que outros laboratórios se concentraram no potencial das células T e outras defesas do sistema imunológico para bloquear a infecção. No futuro, os cientistas querem melhoras o projeto da vacina para testes em humanos e manter os bons resultado. “Há muitos truques imunológicos que podem ser explorados para tornar a imunidade mais duradoura”, diz o co-autor.

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