O único prefeito abertamente gay da Polônia, Robert Biedron, de 42 anos, quer criar um partido “pró-democrático” no país – que passa por uma onda de tendências conservadoras. O anúncio foi feito nesta terça-feira (4), com o objetivo de se opor ao Direito e Justiça (PiS), sigla de direita, atualmente no poder.

“O objetivo número 1 é ajudar as forças democráticas a ganharem as próximas eleições”, disse Biedron, durante uma entrevista coletiva na praça da Constituição, em Varsóvia. “Nada pode me parar. Decidi trabalhar na política já faz anos. E como todos podem ver: de maneira eficaz”.

“Na política, me inspiro em Emmanuel Macron, presidente da França, e também em Lech Walesa, ex-chefe de Estado polonês, além de cidadãos, jornalistas ou simplesmente na Constituição”, diz o militante dos direitos LGBT.

Na Polônia, a homofobia é crescente – no ano passado, um adolescente LGBT de 14 anos se matou e provocou um debate sobre os preconceitos na escola. “Quando voltamos das aulas, passamos diante de uma ponte e nos perguntamos se não vamos pular. Essa é a realidade de nosso cotidiano”, disse uma estudante polonesa à RFI, na época da tragédia.

Os casais de mesmo sexo não podem se casar ou adotar filhos na Polônia, um dos países mais católicos da Europa. Um estudo feito em 2014 – o mais recente sobre o assunto – pelo instituto CBOS, mostra que 70% dos entrevistados julgam a homossexualidade “inaceitável”.

Além disso, o governo conservador do PiS, no poder desde 2015, está em conflito direto com Bruxelas sobre questões ligadas ao Estado de direito. A Comissão Europeia iniciou até um processo por infração inédito contra o país, com relação à independência de sua Justiça, sob pena de sanções financeiras.

“Coragem para desafiar os gigantes políticos”
Biedron deve visitar, nas próximas semanas, cerca de quarenta cidades na Polônia antes do lançamento formal de seu partido em fevereiro, quando ele deverá anunciar um nome e um programa. O político quer se candidatar para as eleições europeias em maio e para as legislativas polonesas em agosto de 2019.

Questionado sobre a possibilidade de ser candidato à presidência em 2020, Biedron respondeu, num tom irônico e evasivo, que ele já era “presidente” de Slupsk (em polonês, eles usam o termo para falar de “prefeito”), cidade de 100 mil habitantes.

“É preciso coragem para desafiar os gigantes políticos que vão fazer de tudo para eliminar as medidas daqueles que ainda sonham”, declarou. O PiS conta com um forte apoio dos poloneses – 40% nas sondagens – e a oposição liberal, os partidos de esquerda e o partido rural estão logo atrás dos conservadores.

Os poloneses irão às urnas em quatro momentos até 2020: para as eleições municipais em 21 de outubro, as europeias e legislativas em 2019 e a presidencial em 2020.

Encontrou algum erro no post? Fale pra gente!