A bateria já foi um problema para a Samsung no passado. Hoje, o componente se tornou uma das suas maiores vantagens. O novo Galaxy Note 9 tem bateria com capacidade de 4.000 mAh e duração de 12h30min sob condições de uso intenso, quase o dobro do tempo de autonomia do iPhone 8 Plus.

Depois do recall do Note 7 em 2016, a marca lançou o Note 8 no ano passado, com melhorias na câmera. O modelo de 2018 transformou a caneta S-Pen, presente em toda a linha, em um controle remoto para fotos e ganhou mais capacidade de armazenamento de energia da bateria.

Em entrevista a EXAME, Antônio Quintas, vice-presidente da divisão de dispositivos móveis da Samsung Brasil, explica como a empresa melhorou o smartphone, considerado um dos melhores de 2017, em apenas um ano, focando em um quesito em que a Apple não se destaca.

Leia a entrevista a seguir.

EXAME: Por que trazer um smartphone com 512 GB de armazenamento e 8 GB de RAM no Brasil?

Antônio Quintas: É um lançamento com uma quantidade limitada que a gente quer testar. As pessoas que usam essa categoria Note, segundo pesquisa que encomendamos com a empresa MindMiners, procuram tela grande, caneta S-Pen e bateria. A proposta de valor do produto está alinhada com o que ele oferece, 77% dos usuários voltariam a comprar um aparelho dessa linha. Essas pessoas são criadores, empreendedores e uma parte do segmento vai querer mais memória. A gente vai testar. Se a aceitação for boa, podemos ampliar essa edição limitada de 512 GB e 8 GB.

Apesar de ser um teste, os aparelhos com essa configuração são montados no Brasil?

Todos eles são produzidos no Brasil. Estamos aqui há 31 anos, temos duas fábricas, centenas de centros de assistência técnica. Só os smartwatches ainda são importados, mas estamos avaliando a produção local. A primeira unidade do Note 9 que for comercializada aqui no Brasil terá sido produzida localmente.

Nos testes de EXAME, que seguem um padrão de simulação de uso intenso, o Galaxy Note 9 ganhou duas horas a mais de autonomia de bateria em relação ao antecessor [passando de 10h30 para 12h30] e o resultado obtido por ele no teste superou o do iPhone X [9h20] e também o iPhone 8 Plus (6h30). Vocês fizeram algo mais no aparelho além de aumentar a capacidade da bateria para melhorar a autonomia de uso?

Além da bateria maior, de 4.000 mAh, trabalhamos muito na questão do resfriamento do aparelho. A combinação do aumento da capacidade da bateria, o resfriamento do processamento do produto que tem fibra de carbono com água acaba ajudando no aumento da autonomia de bateria. Fizemos também melhorias na implementação do processador que ajudam nesse sentido.

Esse é o primeiro smartphone de vocês que ultrapassa o valor de 6 mil reais [preços são de 5.499 a 6.499 reais]. Quando o consumidor compra um eletrônico com esse preço, como uma televisão, ele espera que o produto tenha uma duração de alguns anos. Quanto tempo você acha que o Note 9 pode durar nas mãos do consumidor?

O Note 9 está no cronograma de atualizações de software do nosso headquarter, que tem planejamentos divididos por país, e sem dúvidas o telefone é parrudo, robusto, tem capacidade para um ou dois anos sem perda de performance. Para facilitar o acesso a esse telefone, temos o programa de troca. Além do valor que você recebe pelo seu aparelho, você recebe um valor a mais para que ele fique ainda mais acessível. No varejo, nas lojas da Samsung ou em operadoras, você encontrará programas de troca que reduzem o preço percebido de compra do aparelho.

O problema é que trazemos novidades cada vez mais tentadoras, então, o desafio é conseguir controlar a empolgação de comprar um novo celular. Quem é usuário de Note sempre quer mais novidades. O modelo deste ano, por exemplo, quebrou barreiras importantes. A bateria com longa duração, o resfriamento e a caneta com Bluetooth que funciona como controle remoto são alguns exemplos.

No programa de trocas, vocês vão estimular a troca do iPhone pelo Android?

Varia do momento. Depende dos nossos parceiros, como a Trocafone ou o varejo. As pessoas que compram smartphones usados têm demandas de recolocação no mercado, por isso, é algo variável. O programa é bom porque você não deixa o celular na gaveta, não deixa dinheiro na mesa.

O primeiro semestre de vendas de smartphones da Samsung foi afetado pela Copa do Mundo?

Primeiro semestre foi muito bom porque nos preparamos para ele. Tínhamos dados da última Copa do Mundo que mostravam como o mercado se comportou. Notamos que havia muita tração no segmento de TVs. Tínhamos que nos preparar em termos de distribuição, cobertura, portfólio e comunicação para disputar a atenção dos consumidores nesse período.

Com isso, ganhamos marketshare em quantidade. Chegamos a 51,9% de parcela de mercado, de acordo com dados da consultoria GfK. Quando transformamos essa quantidade em valor, ela é de 52,2% de marketshare de valor (dinheiro gasto). Os produtos estão subindo [de preço] e o consumidor procura mais os segmentos premium e super-premium [acima de 4 mil reais]. Logo de saída, no segundo semestre chegamos com o Note 9, por isso, acreditamos que esse será um ano de crescimento no Brasil.

O Galaxy Note 8 vendeu bem no Brasil?

Sim. Tínhamos ficado um ano sem lançar por causa do Note 7 [que teve problemas na bateria e teve vendas interrompidas globalmente, nem sendo lançado no Brasil]. A campanha de marketing que fizemos foi muito forte para o relançamento da franquia no Brasil. Neste ano, esperamos que as vendas superem muito as do ano passado nessa linha.

A gente pode esperar edições comemorativas das linhas Galaxy S e Galaxy Note no ano que vem, quando elas chegam às suas respectivas versões 10?

Não sabemos dizer ainda porque não conhecemos os segredos da empresa em relação a isso. Mas a expectativa é cada vez mais porque os lançamentos são surpreendentes. As inovações tinham sido sempre na câmera e agora o Note 9 eleva o jogo a um novo patamar. Pessoalmente, acredito que a bateria de 4.000 mAh vai colocar uma interrogação na cabeça dos usuários e dos concorrentes, vai deixá-los impressionados.

(Com informações da Exame)

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