Em seu primeiro trabalho na TV, Pedro Henrique Müller já encarou um desafio: viver um capitão que se envolve em um romance gay, no início do século 20, numa novela das seis. Mas a empreitada em Orgulho e Paixão, que chega ao fim na segunda (24), deu certo. Müller diz que o casal #Lutávio provocou muito mais amor e aproximação de telespectadores homossexuais com suas famílias do que reações preconceituosas.

“Muitos fãs agradecem a delicadeza com a qual a história foi sendo construída. Dizem que foi justamente essa leveza que fez com que familiares, que antes viam o amor entre casais homoafetivos com relutância, agora consigam compreender melhor a existência desses sentimentos, por causa da novela”, comenta.

“Entendem que esse amor pode ser tão bonito e relacionável quanto o de Elisabeta [Nathalia Dill] e Darcy [Thiago Lacerda], Cecília [Anaju Dorigon] e Rômulo [Marcos Pitombo] ou Ema [Agatha Moreira] e Ernesto [Rodrigo Simas]. O amor tem diversas formas de se manifestar, e acho que a novela é uma celebração dessa diversidade. O público tem reagido com uma avalanche de amor pelo casal”, explica.

Em Orgulho e Paixão, Müller interpreta Otávio, um capitão do Exército que ao longo dos capítulos foi descobrindo uma paixão por Luccino (Juliano Laham). Com um pouco de sofrimento, os dois se aproximaram e chegaram a se beijar no último dia 12. O público comemorou o primeiro beijo gay numa novela das seis.

Nas redes sociais, o casal #Lutávio já tem muitos fãs-clubes, e Müller tem recebido presentes dos telespectadores, como cartas, bordados e ilustrações. Alguns comentários preconceituosos contra o romance também chegam ao ator, mas ele prefere ignorá-los.

“Infelizmente algumas pessoas ainda têm dificuldade em compreender uma história de amor como essa, mas estamos caminhando aos poucos. Eu não me dedico a esses comentários, acho que aos poucos vamos desconstruindo antigos modos de percepção e ampliando nossa capacidade de reconhecer as diferenças. Para cada comentário horrível, existem dez maravilhosos, muito mais preocupados em celebrar o amor do que destilar insultos agressivos e violentos. Esses, inclusive, costumam ser de pessoas que nem assistem à novela”, declara.

Após dizerem em voz alta “Eu te amo” um para o outro no capítulo de ontem (20), Luccino e Otávio terão final feliz em Orgulho e Paixão, mas o romance permanecerá escondido. O casal decidirá morar em casas vizinhas com uma porta secreta para facilitar os encontros, sem despertar suspeitas nos moradores da rua. No último capítulo, eles comemorarão cinco anos de relação.

Durante os meses de gravação, Müller também se aproximou muito de seu par romântico, Juliano Laham.

“Ele já virou um grande amigo. Construímos uma relação de muita cumplicidade e dedicação para as cenas. Estamos desde o início da trama de Lutávio muito comprometidos na composição dessa história. Sempre dialogamos muito sobre como podemos trabalhar juntos da melhor forma para contarmos essa história de amor com dignidade, respeito e muito carinho”, diz.

Na reta final da novela, Müller avalia sua primeira experiência na TV positivamente. Ele se forma em breve na faculdade de Teoria do Teatro e ainda não tem perspectivas de papéis pós-Otávio, mas já sentiu o gostinho de trabalhar em novelas e não quer mais sair dos sets.

“Foi uma experiência incrível e deliciosa, Orgulho e Paixão vai deixar muita saudade! Estou doido pra seguir fazendo mais trabalhos na televisão. Achei um barato esse negócio de fazer novela, quero mais”, conclui.

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