Dois anos depois do lançamento da refilmagem de Caça-Fantasmas (Ghostbusters, 2016), o filme dirigido por Paul Feig continua a dividir os fãs, mas já é considerado uma conquista da comunidade LGBT. A versão de Feig transforma a disputa de classes do Caça-Fantasmas original, de 1984, em uma disputa de gêneros. E consegue fazer isso muito bem. O filme junta a morena, a loira, a negra e a ruiva numa sucessão de provocações contra o machismo. As menções aparecem de forma literal (como as feitas aos haters de caixa de comentários, o vilão virgem, o laser no saco do fantasma) ou sutil (o vocabulário científico jorrado pelas mulheres, o detector de fantasmas que é praticamente uma vagina de neon).

A ideia de reiniciar a série com um elenco predominantemente feminino partiu da Sony depois que Bill Murray recusou-se a se comprometer com o projeto e Harold Ramis faleceu em 2014. Grande parte do elenco do filme original faz aparições em novos papeis, mas o empoderamento feminino é o centro da trama. Destaque também para a trilha sonora, com wHo, do ex-One Direction Zayn Malik, e a nova versão da música tema criada por Ray Parker e desta vez gravada por Fall Out Boy.

O filme de Paul Feig

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Terceiro longa da série, Caça-Fantasmas de 2016 é uma comédia sobrenatural dirigida por Paul Feig e escrita por Feig e Katie Dippold. O filme é estrelado por Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones, Neil Casey, Andy Garcia, Cecily Strong e Chris Hemsworth. A história se concentra em quatro mulheres que começam um negócio de captura de fantasmas em Nova York. Na trama, a pesquisadora paranormal Abby Yates (Melissa McCarthy) e a física Erin Gilbert (Kristen Wiig) tentam provar que os fantasmas existem na sociedade moderna. Quando aparições estranhas surgem em Manhattan, Gilbert e Yates recorrem à engenheira Jillian “Holtz” Holtzmann (Kate McKinnon) em busca de ajuda. Também se une à equipe Patty Tolan (Leslie Jones), uma nova-iorquina experiente que conhece a cidade como a palma das mãos. Armadas com pacotes de prótons e muita atitude, as quatro mulheres se preparam para uma batalha épica quando mais de 1.000 fantasmas descem na Times Square. Uma das questões que fica no público que assiste o filme é: a personagem Jillian é gay? Enquanto alguns órgãos da imprensa preferem não se comprometer, para a revista Time, a resposta é sim. O flerte de Jillian com a personagem de Wiig é evidente, e Feig acena positivamente com a cabeça quando uma repórter lhe pergunta o óbvio. “Eu odeio ser discreto sobre isso, mas quando você está lidando com estúdios…”, diz o diretor.

Feig, McCarthy e Wiig novamente juntos mas enfrentam uma polêmica nas redes sociais

Não é a primeira vez que Paul Feig, Melissa McCarthy e Kristen Wiig trabalham juntos. Além do recente Caça-Fantasmas, McCarthy já participou de Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaids, 2011), As Bem Armadas (The Heat, 2013) e A Espiã que Sabia de Menos (Spy, 2015). Já Kristen Wiig é protagonista e uma das roteiristas de Missão Madrinha de Casamento. O filme foi um sucesso na época e um marco para a discussão de mulheres na comédia. Foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme (Musical ou Comédia), ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante (Melissa McCarthy) e Melhor Roteiro Original (Annie Mumole e Kristen Wiig). O filme fez tanto sucesso que deu origem a uma série de produtos como acessórios reais usados no set de filmagem vendidos no PropStore, camisetas, posters, cadernos, canecas na Etsy e até mesmo um jogo de slots online na Betway Casino.

No dia de seu lançamento, o trailer oficial de trailer oficial de Caça-Fantasmas no YouTube no YouTube conquistou 12 mil curtidas e 13,8 mil “não gostei” o que, de acordo com David Griner, da revista Ad Week, o tornou “um dos mais polarizadores da memória recente”. Em maio de 2016, Caça-Fantasmas já era o trailer de filme mais odiado do YouTube (e o nono vídeo do YouTube todo), com 300 mil curtidas e mais de um milhão de “não gostei”. Em uma entrevista, Melissa McCarthy chegou a declarar que as críticas vinham de “um grupo muito, muito pequeno de pessoas” que eram misóginas. As críticas ao filme, no entanto, não são unânimes. Giovanni Rizzo, no Portal UOL, comenta a pobreza da linha narrativa. “O filme é exatamente como um fantasma, vazio e transparente e que vive apenas de seu passado, portanto, possuindo pouquíssima vida própria”, escreve.

Já a resenha de Renato Hermsdorff para o Adoro Cinema é bastante positiva. “O novo filme conta uma história original, coesa e atual – que ainda aproveita o que de melhor cada atriz tem para oferecer. Mais do que um apelo nostálgico, o resultado – delicioso – é quase um sinal de respeito, um pedido de bênção pela nova geração.”

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