Trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da UFSC no segundo semestre do ano passado, o documentário “Depois do fervo” foi citado em agosto pelo jornal “The Washington Blade”, jornal LGBT mais antigo dos EUA e com a terceira maior circulação do país. O texto fala sobre cidades brasileiras que se “vendem” como amigáveis a esse público mas que não cumprem o prometido. O produtor Mateus Faisting falou à coluna sobre o assunto.

O documentário desconstrói a imagem de que Florianópolis é “gay friendly”? É mais marketing do que mundo real?

Sim, de fato é muito mais marketing do que realidade. Basta olhar para as políticas públicas em Florianópolis para a comunidade LGTB. Existe muito mais a promoção para atrair o ‘pink money’, como a gente chama, do que necessariamente ações para combater o preconceito e a discriminação. A fama de Florianópolis como cidade gay friendly é muito mais movida por um desejo de atrair dinheiro do que necessariamente para consolidar uma cidade sem preconceito. Os órgãos oficiais promovem a Capital como destino gay friendly mesmo sabendo que, como em outras cidades do país, não existe preocupação em proteger a comunidade LGBT.

Como surgiu a ideia do tema?

Sou de São Paulo e tinha a ideia de Florianópolis como liberal e sem preconceitos. A intenção não foi colocá-la como a capital mais perigosa para os LGBTs. Os índices de violência não são os mais altos. A contradição é que ela é tão preconceituosa como qualquer outra, mas se vende como lugar seguro.

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