Uma das primeiras vezes que meu nome apareceu no SUPERPRIDE foi como candidato à vereador em 2012. Naquela época eu era o único candidato assumido entre mais de 1700. Foi quando Nelson me deu uma força fazendo uma entrevista comigo. Lembro bem do sentimento de alegria, ao ver gente que mal me conhecia, dando força apoio, espaço.

É fundamental que consigamos usar os partidos ao invés de sermos usados por eles, por isso, vou tentar usar esse meu espaço para divulgar alguns candidatos LGBTs pelo Brasil, de diversos partidos, ideologias e idéias.

Vamos nos unir e colocar lá, nossos representantes.

Vou começar pelo grande ativista e amigo querido que concorre pela Assembleia Estadual do Rio de Janeiro; Carlos Tufvesson do Partido Verde.

Carlos como você começou a sua militância pelos lgbts?

Eu comecei no ano de 1995 na área de DST/AIDS exatamente no grupo Pela Vida, onde eu estava no dia 24 de Julho no dia do meu aniversário até. Era uma época pre coquetel, numa época bem brabeira e tudo. Depois disso eu migrei para a questão de direitos civis de cidadãos LGBT’s. Foi uma migração meio natural ate, eu sempre lutei para que todos os nossos direitos fossem respeitados em toda a minha militância e não poderia ficar quieto diante disso.

 

E sua decisão de ir para a Ceds, como aconteceu.

Eu fazia uma campanha que se chamava “Moda na luta contra o HIV” na minha loja e em outras lojas em Ipanema devido a feminilizacao da AIDS. A AIDS tinha sumido da mídia e a gente tinha que pautar a AIDS na mídia e falar sobre isso. Todos os meus amigos participavam, foi uma campanha feita sem nenhum dinheiro. Iluminamos o cristo Redentor de vermelho até com a ajuda da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a quem eu até agradeço realmente a isso. Pela importância do significado dessa causa para os cidadãos soropositivos, especialmente os católicos. E aí quando eu fiz no palácio da cidade a campanha, o prefeito Eduardo Paes me convidou do nada para assumir a Coordenadoria que estava sendo criada. Sepre foi uma luta do movimento a existemncia ddesse espaço a nivel municipal, já que  dois anos antes tinha sido criada a gestão estadual. Eu era do Conselho Estadual LGBT e aí eu aceitei o convite para que aquele órgão fosse criado, isso era o mais importante.

 

Você já quase foi candidato a vereador e desistiu. O que mudou agora?

O que mudou foi o Rio. A gente vive num momento muito perigoso do Rio de Janeiro. Primeiro um momento de muito retrocesso de direitos que nós conquistamos com muita luta. Muitos de nós e muitos dos que já se foram. No estado por uma questão financeira e no município por uma questão dogmática. O programa Rio Sem Preconceito desapareceu de um dia para o outro. Ainda há um grupo fazendo prosopopeias como se não ter orçamento para politicas publicas LGBT’s fosse uma dádiva. Só existe políticas públicas com orçamento. É fundamental essa questão.

Mudou o Rio e eu acho que o Rio de janeiro precisa nesse momento das pessoas que amam essa cidade e esse estado para poder defender e se unir numa reconstrução. O Rio só vai voltar a ser o que era, voltar a ser uma cidade e um estado em crescimento com a união de todos nós, independente de direita e esquerda. Esse e o momento de reconstrução do Rio.

 

Qual sua visão da atual gestão da CEDS?

 

A criação da CEDs foi uma luta nossa do movimento para ter a sua criação. Se você for comparar o trabalho que foi feito na gestão Eduardo Paes e o trabalho que existe hoje percebe que não existe sequer a necessidade de existência do órgão. Eu sei que eles têm feito um trabalho de empregabilidade de travestis e transexuais, o que é muito importante. Essa é uma questão fundamental para o exercício da cidadania trans. Agora não precisa um órgão com tantos funcionários para isso. Isso pode ser dentro de uma secretaria, ter uma mesa já basta para fazer esse trabalho de emprego. A ampla maioria dos programas e campanhas desapareceram, hoje eles vivem de releases constrangedores enviados para a imprensa. A CEDS deixou de ser ligada ao Gabinete do Prefeito e comisso perdeu seu caráter institucional que lutamos tanto pra construir.

 

Recentemente houve um episódio com uma Trans que trabalha na CEDS, o que aconteceu?

 

Eu estava no grupo Pela Vida quando entra uma pessoa que na verdade eu vi duas vezes  na época que eu estava na CEDs, há dois anos atrás, e vi duas vezes essa pessoa e com um teatro orquestrado, fez aquele vídeo para postar e através de sua propagação ter uma divulgação. A questão ali, que eu acho complicada é que a gente pode discordar, realmente não temos um consenso em relação em como vemos a vida. Mas duas coisas, primeiro: nós gays não somos responsáveis pela grande dor que é o preconceito que transexuais e travestis sofrem. Eu acredito que nós somos parceiros, nós não temos que ser atacados de maneira indigna e intolerante como temos sido atacados constantemente. Isso precisa ser revisto e ali eu fui atacado frontalmente. Numero 2: a gente pode discordar, mas a gente não pode imputar crime a uma pessoa, ainda mais dizendo que eu usei dinheiro de políticas públicas como fui. Eu fui na delegacia e fiz um RO para que ela provasse o que disse já que estranhamente processei o chefe dela há 1 ano e na justica ele disse não existir nenhuma prova e que jamais tinha dito aquilo.

 

Muitos te cobram por ter feito parte do governo do MDB? O que pode nos falar sobre isso?

 

Todo mundo cobra tudo né? Na verdade eu fiz parte de um governo onde pudemos realizar mais do que outros no pais. O programa Rio Sem Preconceito é um programa reconhecido nacionalmente como o programa estadual Rio sem Homofobia era referência nacional também. Acho que a gente precisa parar um pouco com essa questão partidária. Não existem partidos que nos apoiem. Existem parlamentares dentro desses partidos, como existem governos no executivos que nos apoiam.

Porque se você for analisar, por exemplo os prefeitos desses partidos que dizem que são “os mais a favor dos LGBT’s”, voce verá o que eles assinaram. Nem o nome social de LGBT’s que é um decreto do chefe do executivo eles assinam. Dai numa boa. É so copmparar com o que fizemos. O resto é enganar nossa comunidade. Mas O cidadão LGBT precisa ser menos enganado, por uma questão de respeito, mas pesquisar um pouquinho mais. Tem muita gente que fala muito, mas assina muito pouco, como também tem muito deputado que nem emenda orcamentaria faz pra gente, mas posa que é uma beleza.

 

Qual sua realização que você mais se orgulha? E o que você gostaria de ter feito e ainda não conseguiu?

 

Eu tenho um grande orgulho de ter feito o plano de atenção básica de saúde para travestis e transexuais. De ter incluído no relatório SINAM a agressão física por LGBTfobia. Ou seja, se a pessoa entrar num órgão de saúde a pessoa que manifestar a homofobia, é uma maneira da gente criminalizar a homofobia a nível municipal. A gente coloca no relatório de agraves de crimes que são federais e consegue ter um controle maior sobre isso. Essa norma virou federal um ano depois por ofício nosso também entreguei em maios a então Min Padilha. Então quer dizer, é dentro do sistema que a gente consegue mudar. Tenho muito orgulho de ter feito as campanhas de testagem do Rio. O Rio chegou a ser o estado que mais testava HIV no país. Algo que depois até deixou de acontecer. As inúmeras campanhas que nós fizemos chamando a sociedade como um todo seja pela prevencao seja de conscientização contra LGBTfobia. Sempre partindo do princípio que não precisa LGBT para lutar contra a LGBTfobia, e por ultimo a portaria do bullying que talvez o que me fez permanecer no poder público quando eu entendi ali que só dentro do poder público a gente pode mudar. Ali na CEDs a relação é extensa de ações que nós fizemos. Todo ano nós prestávamos contas aos cidadãos do que a gente fazia e a cada mês.

 

 

 

Deixe suas considerações finais

 

Eu acho que a gente vive um momento das eleições mais importantes para o Rio de Janeiro, né. E a gente vai ver muita instrumentalização aí, a gente vai ver muita fake News atuando como nós já estamos vendo. E o cidadão LGBT mais uma vez vai ser objeto de barganha na mão dessas pessoas. Na mesma maneira que você viu o Prefeito do Rio de Janeiro falando que a Marcia é atacada por ser negra no dia da mulher negra, né. A gente vê outras pessoas usando a carta da minoria para se vitimizar e defender uma política de não orçamento para as políticas públicas LGBT’s. Isso é um retrocesso e nós não podemos permitir. Uma coisa é você não avançar, outra coisa é você não retroceder. O que existe hoje é um retrocesso perigoso e aí tenha certeza, meu compromisso de vida é não permitir esse retrocesso, e ao contrário, voltar a avançarmos como tínhamos há pouco tempo atrás.

Há muito pouco tempo atrás a gente tinha no Rio a política LGBT referente no país, e é importante que nós cidadãos LGBT’s não esqueçamos disso porque tudo isso foi destruído.

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