Eron Maia é um ginasta que acaba se acidentando após realizar um arriscado salto. De longe, um Deus mitológico observa a cena e decide dar ao atleta uma segunda chance, transformando-o em um super-herói. Falando assim, o enredo desenvolvido por Elyan Lopes se encaixa em uma tradicional HQ, mas a história de “Vélox – O Campeão da Liberdade” vai muito além do que os quadrinhos brasileiros estão acostumados.

Usando como inspiração ginastas e a cantora Pabllo Vittar, o jovem criador acredita que a representatividade seja uma questão importante para a sociedade.

“O Vélox vem dessa questão da homossexualidade reprimida que a sociedade quer impor para as pessoas. E a Pabllo Vittar entrou na história justamente como inspiração, porque ela é um ícone hoje em dia justamente do contrário. Você pode ser quem você quiser, fazendo o que você gosta, e não se importar com os outros”, analisa Elyan em entrevista ao UOL.

Vélox tem uma vida dupla. Para a sociedade, ele é apenas um ex-atleta que ficou paraplégico após um salto malsucedido. Mas é através de seu alter ego que ele alcança voos –literalmente– maiores.

“Como Vélox, ele pode ser o que quiser e usar o poder dele para o bem. Nessa primeira aventura ele vai enfrentar um vilão chamado Messias, que possui um exército que pretende instaurar conceitos para todo mundo”, disse o autor, que pediu autorização para Pabllo para usar sua imagem e prontamente foi atendido. “Ela adorou! Espero um dia conhecê-la pessoalmente e dar uma revista para ela.”

A campanha de financiamento coletivo para “Vélox” começou na terça-feira (17) no Catarse. A meta é atingir entre R$ 15 e R$ 20 mil e o custo seria para cobrir impressão e publicação. O autor garante que o projeto está com 50% da arte finalizada.

Pré (conceito)

Elyan diz que também usou como base atletas e celebridades que não se assumem homossexuais por represália da população. E preconceito foi algo que o quadrinista sentiu dentro da própria comunidade.

“Desde quando criei o Vélox, venho tendo algumas dificuldades em relação às próprias críticas, mesmo do próprio meio nerd. E tem muita controvérsia, muita gente contra e muita gente a favor. O que vem prevalecendo é que tem mais gente a favor do que contra.”

“Porque se a gente for reparar, tudo o comentam sobre a Pabllo Vittar e o Vélox é muito negativo, o ódio é grande. Fico imaginando a coitada da Pabllo, não é? Deve ser bombardeada o tempo todo, e ela não liga e continua. Então é uma motivação a mais, um exemplo”.

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