A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta segunda-feira (18) a nova Classificação Internacional de Doenças (CID), um sistema que foi criado para listar, sob um mesmo padrão, as principais enfermidades, problemas de saúde pública e transtornos que causam morte ou incapacitação de pessoas.

Além de, pela primeira vez, o vício em videogames ser incluído como perturbação mental, ou seja, doença caracterizada pela “perda de controle no jogo”, o documento também passou a incluir condições relacionadas à identidade de gênero no capítulo sobre saúde sexual – antes estavam relacionadas à saúde mental. A 11ª edição da CID será apresentada na Assembleia Mundial de Saúde, que ocorrerá em maio de 2019, para que seja aprovada pelos Estados-Membros. Se aceitas, as mudanças deverão entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Em nota em seu site, a OMs declara: “O raciocínio é que, embora as evidências agora estejam claras de que não é um transtorno mental (a transexualidade), e de fato classificá-lo pode causar enorme estigma para as pessoas transgênero, ainda há necessidades significativas de cuidados de saúde que podem ser melhor atendidas se a condição for codificada sob o CID”. E por isso, a organização defende que a transexualidade fique sob o capítulo “condições relacionadas à saúde sexual” .

Contra o estigma e o preconceito, a retirada da transexualidade da lista de doença mental sempre foi bandeira do movimento LGBT. A homossexualidade já havia sido retirada da lista em 1990, última revisão da CID.

A OMS recebeu mais de 10 mil sugestões de profissionais de saúde de todo mundo para a formatação da nova classificação. A CID-10, ainda em vigor, foi aprovada em 1990. De acordo com as propostas, serão incluídos um capítulo sobre medicina tradicional, outro sobre saúde sexual, considerando o tema relativo a transgêneros, e o transtorno gerado pelos jogos de videogame. Neste último caso, o tema está entre as “desordens de dependência”.

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