“Medo é quando pela primeira vez não se consegue dar a segunda. E pânico é quando pela segunda vez não se consegue dar a primeira.” Sidney Glina, urologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, cita esse ditado no seu livro Impotência Sexual (série Mitos & Verdades, editora Contexto).

É inevitável que em algum momento da vida, os homens vão perder alguns minutos pensando nesse pesadelo. Bom, o que muitos homens não sabem, é que algumas coisas que dizem por aí sobre a ereção não são verdadeiras. Por isso, o doutor Glina listou alguns mitos e verdades para você deixar de neura:

#1

Mito: Se não deu pelo menos mais de uma na sequência, você tem problema!

Verdade: Se a primeira foi boa, relaxe e durma. Cada indivíduo tem um ritmo.

Enquanto alguns se excitam novamente em 5 minutos, outros precisam de 3 horas. Pior é sentir-se obrigado a encarar uma prorrogação sem prazer. Nesse caso, você fica ansioso e falha mesmo.

A ansiedade estimula a produção de adrenalina, uma substância fabricada por várias partes do corpo, principalmente pelas glândulas supra-renais (localizadas sobre os rins).

Em excesso, essa substância contrai os músculos do pênis, impedindo a entrada de todo aquele sangue entusiasmado que estufa o seu melhor amigo. E o resultado você já sabe…

#2

Mito: Sofre de impotência sexual ou de disfunção erétil quem não tem o instrumento às mãos, sempre pronto pra ser manipulado.

Verdade: Disfunção erétil é a incapacidade constante de manter a ereção para uma penetração ou até que você e seu parceiro completem a festa.

Mas vamos supor que aquele boy que você sempre cobiçou leve você pra cama. Se não der conta de escalar todo aquele monumento, peça desculpas e implore por uma segunda chance no dia seguinte. Sem medo ou culpa!

Falhar no primeiro encontro não significa que você seja broxa. Pesquisas do Instituto H. Ellis (de sexualidade), de São Paulo, relatam que 7% dos jovens com idade próxima aos 23 anos têm dificuldade de ereção durante a primeira relação ou encontro com um novo parceiro.

Culpa da adrenalina!

#3

Mito: Disfunção erétil é sina de velho.

Verdade: Um estudo feito no Hospital Ipiranga, de São Paulo, revelou que 2% dos homens entre 20 e 40 anos têm queixa de ereção. Entre 40 e 50 anos, existem 12% de insatisfeitos.

Entre 50 e 60 anos, 18%. Acima dos 60 anos, 30%. Depois dos 70 anos, 50%. Sem crise! Envelhecer não significa negar fogo.

O problema é que a maioria dos homens não se cuida e, com o passar do tempo, fica mais vulnerável a doenças que afetam a ereção, como diabetes, hipertensão, estresse e câncer de próstata.

Tem mais: sexo é uma questão de hábito e treinamento. Vários estudos publicados na literatura médica revelam que 70% dos homens com mais de 70 anos mantêm-se sexualmente ativos se tiverem parceiros, digamos, igualmente entusiasmados.

#4

 

Mito: Disfunção erétil significa falta de desejo.

Verdade: No homem, o desejo está relacionado a dois hormônios produzidos no cérebro: a testosterona e a prolactina.

Eles acionam a operação de guerra que deixa você ligadão – claro, depois que os sentidos do corpo captam um estímulo erótico.

Se você tem pouca testosterona, a sua libido está comprometida. E o normal é não ter ereção sem desejo. Exceto se você possui poderes sobrenaturais que fazem a neca ir à luta com um simples estalar de dedos.

Se não for generalizada ou associada à queda da testosterona ou excesso de prolactina, falta de tesão não é problema físico nem questão a ser tratada no divã do psicanalista.

#5

Mito: Disfunção erétil e ejaculação precoce não têm nenhuma relação.

Verdade: Um estudo feito pelo Núcleo de Estudos da Sexualidade do Paraná mostrou que 33% dos casos de ejaculação precoce evoluem para disfunção erétil.

É fácil entender: com o tempo, o rapaz que chega rapidamente ao clímax torna-se inseguro e ansioso. O passo seguinte é inibir a ereção.

Se a ejaculação precoce vem estragando a sua farra desde a adolescência, possivelmente você chegará aos 30 anos com sérios problemas de ereção.

#6

 

Mito: Ejaculação precoce se resolve com cirurgia ou só com medicamento.

Verdade: Em 90% dos casos, ejaculação precoce é um problema psicológico também provocado pela ansiedade. A ansiedade despeja no seu pênis um caminhão de adrenalina, que faz você broxar.

Mas em algumas pessoas o excesso dessa substância pode precipitar a ejaculação porque funciona como um choque nas vesículas seminais, órgãos que armazenam o sêmen, próximos à próstata.

Uma vez “eletrocutadas”, elas se contraem e jogam o esperma na uretra para aquela viagem sem volta. Como o problema está na cabeça (não na do pênis), o sensato é procurar um terapeuta sexual.

Ele ajuda você a descobrir a origem de sua ansiedade e a tratar o problema.

#7

Mito: Viagra é a única solução para despertar seu amigo preguiçoso.

Verdade: Cerca de 30% dos casos de disfunção erétil são provocadas por problemas orgânicos, como lesões nas artérias. As artérias do pênis são vias de acesso por onde correm o seu sangue turbinado.

Se esse caminho é obstruído, ele não chega aonde tem que chegar. O viagra não conserta essa estrada maltratada, mas cria condições para que a ereção ocorra. Mesmo com esses problemas.

O sildenafil, princípio ativo do medicamento, corta a ação de uma enzima chamada fosfodiesterase tipo 5. Ela existe na neca para contrair os músculos e barrar a entrada de sangue.

Em outras palavras, evita que você fique sempre armado, principalmente após ejacular. É assim, meu amigo: adrenalina e fosfodiesterase conspiram contra a sua ereção.

Se conseguir barrar a última, as chances de sucesso são de 95%. Até sob tensão. Mas o viagra não funciona sem desejo. Se o seu sangue não está tão caliente quanto você queria, a ereção não acontece.

Esse medicamento deve ser tomado 1 hora antes da relação, com o estômago vazio para ser melhor absorvido. Ele não funciona em casos de lesão de nervos e prostectomia radical (retirada da próstata).

Para esses casos, o uso de prótese ainda é a melhor solução.

#8

Mito: Pênis pequeno, problema à vista.

Verdade: O pênis é verdadeiramente pequeno quando tem menos de 4 cm em repouso e menos de 7 cm em ereção. Com tal bagagem (literalmente), a penetração é inviável.

Preste atenção, viado: estamos falando de 7 cm. Por menor que seja sua neca, duvido de que ela seja um dedal. Se fosse assim, tão minúsculo,o seu pediatra já teria diagnosticado o problema de crescimento e tratado você com hormônios.

Outra coisa, sua louca: esqueça o que o seu vizinho – o tora de ouro – falou sobre o tamanho ideal de pênis e trabalhe bem com o instrumento que você tem.

 

 

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