Fabrício Rosa (38) lança sua pré-candidatura ao Governo do Estado de Goiás pelo Psol. O Agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que também é professor de Direitos Humanos e Ética, é gay assumido e de perfil político progressista.

O político, será o primeiro na história de Goiás a reunir essas características diante de um pleito. Ele travará disputa com pelo menos três nomes fortes alinhados à direita, como José Eliton (PSDB), Ronaldo Caiado (DEM) e Daniel Vilela (MDB). Apesar do anúncio antecipado, a pré-candidatura será oficializada no próximo 22/4, para quando está agendada uma convenção do partido.

O nome de Fabrício, que já foi candidato a vereador em 2014, foi cotado por fazer contraposição às demais candidaturas anunciadas para Goiás, de acordo com o presidente municipal da legenda Flávio Marcos. “Tem um perfil diferente, é da PRF, tem um trabalho bastante interessante em uma polícia antifascista, mais voltada aos interesses da população. É assumidamente gay e nossa intenção é ampliar as plataformas do partido, como a luta do antiproibicionismo, legalização das drogas, pautas LGBT, em favor dos trabalhadores e da juventude”.

Para o presidente, a candidatura de Fabrício representa uma alternativa à política conservadora do que chamou de “marconismo” e demais bandeiras conservadoras. “O marconismo está aí há 20 anos, e o José Eliton representa a continuidade desse projeto. Outra opção é Caiado, que também é bastante conservador. Precisamos de opções que vão além desses nomes e aqui o PT também tem suas debilidades, com alianças históricas com Íris Rezende”, analisa.

Para viabilizar a campanha, Flávio sinaliza aproximação com partidos como PCB e PSTU, além de organizações políticas como Polo Comunista e Unidade Popular. “Vamos tentar diálogo com os partidos e com essas entidades, que também possuem militância bem relevante”.

Flávio revela, entretanto, que há uma disputa interna no partido, o que é confirmado por Fabrício. “O partido tem tentado trazer pautas progressistas para o Brasil. Somos dois candidatos, o outro é o Professor Weslei Garcia de Paulo, que concorreu a uma vaga na Câmara em 2016. Ele tem maioria no Entorno do Distrito Federal e em cidades do interior, eu tenho maioria na Capital. Seremos dois candidatos ao Governo Estadual”, revela Fabrício.

Ciente do desafio de concorrer com nomes sólidos em Goiás, o pré-candidato afirma estar consciente e confiante. “Entro no pleito sabendo que nossa candidatura é pequena, mas estou confiante, no sentido de levar pautas que não seriam discutidas pelos candidatos conservadores. Quem sabe não podemos modificar o pensamento dessas pessoas par que seus mandatos possam inserir a pobreza no orçamento e no plano de governo deles, que geralmente deixam esse assunto de fora”.

Pretensões

Fabrício adianta que sua campanha e eventual governo terão quatro frentes principais: segurança pública, Direitos Humanos, Saúde e Educação. Membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e mestre em Direitos Humanos, Fabrício afirma que pretende usar a experiência de mais de 18 anos como policial, federal e militar, em favor de comunidades marginalizadas. “Apesar de ser policial, acredito que a grande massa de investimento, nessa área, tem que ser nas periferias. Minha origem é pobre, sou filho de uma merendeira e de pai pedreiro, e a gente percebe que as periferias estão abandonadas”.

Nessas realidades, sem acessos, educação, cultura e esporte, jovens são conduzidos à informalidade e também à criminalidade. “Somos a favor da formalização do trabalho, desenvolvimento de projetos para incluir socialmente jovens que foram abandonados pelo atual governo estadual. Muitas vezes a criminalidade é uma resposta geradora de recursos para as necessidades básicas e de consumismo que essas pessoas, que apesar de pobres, também possuem. Então, em médio e longo prazos, podemos resolver problemas se segurança pública agindo na raiz do problema. A resposta, não está na militarização, como ocorre no Rio de Janeiro”, observa.

Na saúde, a ideia de Fabrício é atuar no que chama de Controle Social, em que – explica ele – organizações formadas por integrantes da sociedade civil atuam na fiscalização do acesso à saúde. “Isso já é feito em outros países, sobretudo, embora timidamente, no Brasil. Temos que fortalecer comitês municipais e estaduais de saúde para que possam fiscalizar como as pessoas tem acesso á saúde. Umas morrem nas filas, enquanto outras com problemas menos urgentes são atendidas. Esse é um sintoma do alastramento da corrupção no País. Queremos transparência, além de combater as Organizações Sociais (OSs). São gastos desnecessários e a escolha delas não é de qualidade, priorizando amigos do atual governo”.

Na educação, o plano também é combater OSs e a militarização. Segundo ele, policiais que estão nas salas de aula deveriam estar fazendo a segurança das ruas. “É lá que devem estar, não nas escolas. Isso não acontece em outros países do mundo ocidental. A educação deve ser civil, não militar. Nasceu aqui para atender filhos e parentes de policiais, não para atender toda a população. A formação militarizada serve para controla o filho do pobre, que deve ser disciplinado, enquanto o rico coloca seus filhos em colégios particulares civis. Isso impede a criatividade, a liberdade. Age para a uniformização do pensamento, padronização das pessoas. Achamos que esse não é o caminho”.

Fabrício revela preferir incluir a atuação em prol da comunidade LGBT na discussão de Direitos Humanos, em que, para ele, estão inclusos projetos sociais voltados para pessoas em situação de vulnerabilidade social e minorias, como os próprios LGBTs, idosos, mulheres e negros.

“Atuo há mais de 20 anos com projetos sociais, desempenhando ações em comunidades, ocupações, que vão desde levar cesta básica à acesso à informações. Por ser gay, claro, a gente tem uma sensibilidade para lidar com ações com diversos grupos. Quanto à realidade LGBT, precisamos de políticas públicas, por exemplo, de combate à homofobia nas escolas. Não queremos privilégios. Queremos respeito, igualdade. Sofri, apanhei na escola por ser gay. Pregamos o direito de que as pessoas possam ser quem são sem serem expulsos de casa, como eu fui. Isso ainda acontece muito, então precisamos combater isso”.

As informações são do site Mais Goiás.

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