Pra quem curte, a barba é um atributo estético que marca a identidade. Porém, não é todo mundo que tem os pelos cheios, o que pode ser um grande problema para quem alguma cicatriz e quer escondê-la.

Mas hoje já existe opção pra quem tem esse problema: o transplante de barba. O procedimento cirúrgico é bem simples e realizado sob anestesia local, podendo durar entre duas e cinco horas. É indolor, como é o período de recuperação, o que pode levar cerca de quatro dias.

Para esse procedimento, os objetivos podem variar entre um enchimento, uma cobertura fina de uma área limitada ou até o pleno restabelecimento de um cavanhaque ou mesmo uma barba espessa. Uma vez transplantados, os pelos são permanentes, crescem com textura semelhante e podem ser raspados, cortados e estilizados, tal como seria, naturalmente, com o cabelo facial.

Tá na moda

O cirurgião plástico Carlos Eduardo Leão, um dos pioneiros do transplante no mundo, esclarece que a técnica é recomendada tanto para os pacientes imberbes (sem barba) como aqueles com barba falhada ou cicatrizes na face em áreas da barba ou decorrentes de lábio leporino. “Nesse caso, o estigma dessa cicatriz pode ser totalmente camuflado. O paciente passa a ter inúmeras opções em seu visual. Pode valer-se da barba por fazer, cheia, apenas a costeleta mais longa, cavanhaque, cavanhaque e bigode, apenas bigode, enfim, um sem-número de opções. Astros do showbiz, como Brad Pitt, George Clooney, David Beckham, Bruno Gagliasso, Cauã Reymond, Caio Castro e tantos outros, influenciam os jovens com suas barbas em variados estilos a realizar o sonho de um novo visual”, acredita.

Carlos Eduardo crê que o modismo não é e nunca será indicação de qualquer cirurgia, mesmo as de cunho eminentemente estético. “Porém, o desejo de ter barba ou de corrigir suas falhas é legítimo e, dada a extraordinária evolução técnica da restauração capilar nos mais diversos segmentos corporais, passou a ser um procedimento cirúrgico em ascensão na especialidade. Em recentes estudos da Universidade de Southern Queensland, na Austrália, 55% dos homens do planeta usam barba, bigode ou ambos e essas áreas cobertas ficam um terço menos expostas à radiação solar. A área doadora também é a mesma utilizada para tratar a calvície. Utilizam-se os cabelos localizados numa região específica da nuca e das laterais do couro cabeludo logo acima das orelhas.”

O médico ainda explica ao site Uai que o transplante de barba é feito, normalmente, com anestesia local, associada a uma sedação ministrada por um anestesista. “Deve ser feito em hospital ou clínicas bem aparelhados. É um procedimento cirúrgico minucioso, muito técnico, de muito detalhe. É uma cirurgia para profissionais tarimbados e experientes. Não é um procedimento para os que se iniciam em transplantes capilares. Gasta-se uma manhã inteira para que seja realizado, mas o paciente pode sair de alta do hospital no mesmo dia. Não tem curativos. Mais de 90% dos pacientes não se queixam de dores, nem na área doadora, nem na receptora. No dia seguinte, pode-se tomar banho, lavar o rosto normalmente e ser liberado para o trabalho.”

Técnica

O médico ressalta que os exercícios físicos estão permitidos após 10 dias. “Por 30 dias deve-se evitar a exposição ao sol e sauna. Barbear-se está permitido após dois meses do ato cirúrgico. A presença de inchaço no rosto e equimose (pele arroxeada) está presente em 20% dos casos. Se presentes, melhoram entre 48 a 72 horas após a cirurgia. A técnica utilizada é a mesma do transplante capilar para tratamento da calvície. Na barba utilizam-se apenas unidades foliculares (UFs) com um a dois fios de cabelo. Os fios devem ser longos (mais de 1cm), pois facilitam a observância da correta direção e angulação dos cabelos durante a enxertia, fundamentais para um resultado natural. A colocação dos enxertos de cabelo, fio a fio, pode ser feita com o bisturi Leão, inventado por mim e utilizado pela maioria dos cirurgiões de restauração capilar do Brasil e no exterior e também com ‘implanters’, que são instrumentos igualmente utilizados para o mesmo fim.”

Os pacientes que atingiram a maioridade representam a maioria dos candidatos. “A mudança que o transplante de barba promove no paciente imberbe deve ser muito bem discutida com ele. Muito embora ao se barbear o paciente retorne à sua aparência física de antes, a barba passa a fazer parte de sua nova vida, podendo influenciar indelevelmente em sua personalidade. Pacientes muito jovens devem ser observados com cautela por parte do cirurgião e mais de uma entrevista pode se fazer necessária para a correta decisão pela cirurgia, se possível compartilhada com pais e responsáveis. Outra coisa muito importante a ser observada diz respeito aos pacientes com tendência familiar à calvície. Eles devem ser alertados sobre a necessidade de área doadora para tratá-la. A cirurgia da barba, que utiliza a mesma região doadora, certamente diminuirá a chance de mais etapas cirúrgicas para um ou outro problema.”

 

Encontrou algum erro no post? Fale pra gente!