O casamento gay se tornou tema dominante na reta final da campanha eleitoral na Costa Rica, impulsionando a candidatura presidencial de um deputado evangélico e levando outros candidatos a adotar um discurso mais conservador. O tema surgiu no último momento antes das eleições, programadas para 4 de fevereiro, após comunicado emitido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Segundo o documento, os casais homossexuais devem ter os mesmos direitos que os casais heterossexuais.

A determinação acabou unindo uma parte da população que não aceita a união homossexual, favorecendo o candidato Fabricio Alvarado, de 43 anos, deputado e pastor evangélico. O debate evidenciou o conservadorismo da população da Costa Rica, que já constava nas pesquisas de opinião pública.

“Estamos falando de um país conservador e religioso”, comentou o politólogo Felipe Aguilar, do Centro de Investigação e Estudos Políticos (CIEP) da Universidade da Costa Rica (UCR).

Estudos realizados mensalmente pelo CIEP revelaram que um terço da população costa-riquenha se identifica com posicionamentos conservadores, enquanto outro terço concorda com ideias mais liberais.

Aguilar explicou que as pesquisas que vêm sendo realizadas nos últimos dois anos indicam que temas como casamento entre pessoas do mesmo sexo, uso recreativo da maconha, Estado laico e aborto em caso de estupro têm 65% de reprovação, enquanto apenas 35% são favoráveis. Cerca de 80% dos costa-riquenhos consideram a religião como elemento importante, e 70% deles se declaram católicos.

Antes de o assunto ser levantado pela corte interamericana, a principal discussão política girava em torno da corrupção e dos índices crescentes de homicídio. Esses temas permitiram o crescimento nas pesquisas eleitorais de nomes como o do advogado penalista Juan Diego Castro, do minoritário Partido da Integração Nacional, que se apresentava à população com um forte discurso contra a corrupção e a criminalidade.

Grupos políticos mais tradicionais e organizados, que governaram o país nas últimas décadas, têm encontrado dificuldades para impulsionar os seus candidatos frente a partidos minoritários sem maior estrutura, cujos discursos atrairam alguns setores do eleitorado.

Decisão questionada

O candidato Fabricio Alvarado, do partido evangélico Restauração Nacional, cresceu significativamente nas pesquisas após declarar em entrevista que retiraria a Costa Rica da CIDH devido à declaração sobre a união gay.

“A Costa Rica é um país de valores e princípios, os quais queremos que continuem sendo respeitados. Iremos até o fim para defender esses princípios e a soberania nacional”, argumentou Alvarado na segunda-feira, durante um debate realizado na Radio Monumental.

Após ser eleito em 2014, o atual presidente Luis Guillermo Solís foi o primeiro a manifestar apoio à causa da diversidade sexual, e promoveu iniciativas para que casais homossexuais pudessem ter acesso aos benefícios referentes à Previdência Social.

O tema dominou a mídia nas últimas semanas, além de ter gerado fortes reações de setores religiosos, como a Igreja Católica e a evangélica. Nenhum dos 13 candidatos aparece nas pesquisas com os 40% de votos necessários para vencer as eleições no primeiro turno, o que abre espaço para uma segunda rodada eleitoral a ser realizada em 1º de abril.

Segundo a pesquisa OPol, do dia 25 passado, Alavarado lidera as intenções de voto com 13,8%, seguido por Antonio Alvarez, do conservador Partido de Libertação Nacional, com 13,4%.

* Com agências internacionais

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