Adam Rippon, a grande estrela dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, na Coréia do Sul, ganhou apenas uma medalha de bronze. No entanto, enquanto seus colegas medalhistas só aparecem nas páginas esportivas, ele está em todas as partes.

Não por ser o primeiro esportista olímpico gay, mas sim porque trata-se do primeiro atleta abertamente homossexual que representa os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Rippon sabe ser bem-humorado. Sua conta no Twitter, mistura mensagens de inspiração, fortes opiniões políticas e tweets cheios de humor.

Lá se lê, por exemplo: “Há pouco me perguntaram em uma entrevista como era ser um atleta gay. Respondi que é exatamente igual a ser um atleta heterossexual. Muito trabalho duro, mas normalmente o faço com as sobrancelhas mais bonitas”.

De acordo com a Revista Fórum, a atriz Reese Witherspoon, ganhadora do Oscar, foi uma das celebridades de Hollywood que o elevou ao estrelato. “Razão número um para ver os Jogos Olímpicos de Inverno 2018: ADAM RIPPON”, tuitou no último 8 de fevereiro. Mas sua fama para a imprensa começou um mês antes, em janeiro. E essa é talvez a história mais interessante do jovem Rippon: seu confronto com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence.

Quando Rippon se inteirou de que Mike Pence, o vice de Donald Trump, ia liderar a delegação norte-americana nos Jogos Olímpicos de Inverno celebrados na Coreia do Sul, decidiu não ir ao habitual encontro que há entre esportistas e delegados. Seu primeiro ataque foi em uma entrevista que o diário USA Today publicou no dia 17 de janeiro. “Se refere a Mike Pence, o mesmo Mike Pence que financiou terapias de conversão para gays? Passo”. Também acrescentou: “Pessoalmente não tenho nada a dizer para Mike Pence. Se me derem a oportunidade de falar após as Olimpíadas, prefiro fazer com pessoas cujas vidas foram afetadas pela legislação que ele levou a cabo”.

Mike Pence (que se define como cristão, conservador e republicano) tem um longo histórico de ataques contra a comunidade LGTBQI. Entre outras coisas, opôs-se à legalização do casamento gay, declarou que ser gay ou lésbica é “uma escolha”, lutou para que os grupos que ajudam as vítimas da AIDS não recebam ajudas públicas, foi contra uma lei que impede a discriminação de pessoas LGTBQI no local de trabalho, anulou a lei que permitia a mulheres e homens transexuais utilizar o banheiro em que se sentissem mais cômodos nos edifícios públicos e, sim, efetivamente, pediu em sua campanha do ano 2000 (cujo programa ainda pode ser lido integralmente aqui) que os fundos públicos se destinassem às terapias de reconversão de gays e lésbicas.

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