Com a chegada dos períodos mais quentes, a fotoproteção volta à tona como o centro das atenções na rotina skincare. E mesmo assim ainda tem quem ache que a importância do filtro solar é, apenas, para evitar que a pele fique vermelha. Definitivamente: não!

Existem quatro radiações poderosas – UVA, UVB, calor e luz visível – no verão e que são capazes de provocar envelhecimento precoce e uma série de alterações na pele – até mesmo o câncer. Por isso, para se proteger é necessário não só passar o filtro solar, mas saber como e quando passá-lo. Para isso, é preciso entender cada mal que essas radiações podem causar.

“Muitas vezes, mesmo com alto FPS contra raios ultravioleta, esta proteção é ineficiente contra os raios infravermelho, que inflamam a pele, provocam flacidez e aumentam o risco de câncer”, explica a dermatologista Claudia Marçal.

Segundo a dermatologista, além do câncer, existe também o envelhecimento fotoadquirido, que nada mais é que a formação precoce de rugas, manchas, mudança na textura da pele, angiogênese (formação de novos vasos), atrofia com uma epiderme pergaminácea e flacidez, que tem grande relação com o UVA e o InfraRed.

Outra preocupação para quem não usa o filtro solar adequado, de acordo com a especialista, é que durante as estações mais quentes, existe uma queda do sistema imunológico da pele, já que a hiperexposição à radiação solar gera uma menor efetividade das células de Langerhans – os anticorpos da pele.

Para esclarecer melhor, a dermatologista explicou abaixo o dano que cada uma das radiações é capaz de exercer na pele:

UVA

Principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), esse tipo de radiação atravessa nuvens, vidro e epiderme, é indolor e penetra na pele em grande profundidade, até as células da derme — sendo o principal produtor de radicais livres. “Os raios UVA afetam a pele o ano todo, independente da estação. Esse tipo de radiação não é bloqueado totalmente com protetor solar e traz prejuízos, desde lesões mais simples até, em casos mais graves, câncer de pele”, explica a dermatologista.

A radiação ultravioleta A, ao penetrar na pele, passa a epiderme e a camada basal onde estão as células produtoras de melanina, e causa um processo de desarranjo e de desestruturação das fibras do colágeno, explica a Dra. Claudia Marçal.

UVB

A radiação ultravioleta B deixa a pele vermelha e queimada, danificando a epiderme e é mais abundante entre as 10 da manhã e 4 da tarde. “Seu grau de proteção é medido pelo FPS e é uma radiação que pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização também”, comenta.

Infravermelho

O IR (InfraRed) ou IV é sentido através do calor ou mormaço. “É uma radiação que acomete num comprimento de onda suficiente para atingir a derme mais profunda — a derme reticular — onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade e uma piora no aspecto geral com a destruição do arquétipo da pele. Além de um maior potencial de cancerização”. A dermatologista explica que, para evitar a flacidez e rugas, é importante o uso do bloqueio físico solar e antioxidantes que diminuam o processo inflamatório causado pelo InfraRed.

Luz visível

Mesmo não sendo um conceito novo, é necessário pontuar, de acordo com a especialista, que a luz visível continua sendo um perigo. “Presente na nossa rotina diária, ela é capaz de promover a médio e longo prazos um quadro de eritema mesmo que subcutâneo, mas já suficiente para gerar a presença das sunburn cells (ou células que sofreram alterações importantes pela radiação ultravioleta apresentando degeneração no seu DNA, promotoras mais tarde da possibilidade de cancerização)”, explica.

A médica ilustra que a luz visível atua no estímulo da melanogênese, resultando em manchas. “As pessoas que têm tendência ao melasma não podem só pensar em ter um fotoprotetor com UVA e UVB. Há necessidade de algum tipo de ativo que combata a ação danosa do InfraRed e luz visível. São ativos tirados de extratos vegetais que têm ação anti-inflamatória e bloqueadores como dióxido de titânio”, acrescenta.

Conhecendo os agressores, é mais fácil de se proteger, mas a dermatologista ainda esclarece que somente um fator de proteção alto não é capaz de proteger a pele totalmente. Por exemplo, o fator de proteção 15 bloqueia a ação dos raios por duas horas, então, depois deste período a pele já está desprotegida novamente. Reaplicar o produto no tempo indicado pelo fabricante ou após a exposição do produto à água podem ajudar a melhorar seu desempenho.

 

 

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