A cidade de Muzambinho, no Sul de Minas Gerais, tem apenas 20.430 habitantes, mas se tornou bem famosa nas redes sociais após viralizar uma lista pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, uma lista com os “mais gays enrustidos” do município.

De acordo com o jornal Estado de Minas, tudo começou com uma lista que continha o nome das pessoas “mais chatas” da cidade, depois logo surgiu a lista dos “mais gays enrustidos” e então, dos “mais gays”. “Primeiro começou a circular a lista do ‘mais chato’ da cidade. Todos levaram na brincadeira. Mas na última terça-feira um menino com quem eu tenho um caso me enviou uma mensagem contando sobre a lista das ‘mais putas’. Eu estava em primeiro lugar e ele me perguntou: ‘O que você está fazendo?’”, contou G.A.S.T, de 17 anos.

O delegado de Polícia Civil Sílvio Sérgio Domingues diz que já tem conhecimento das listas e suspeita de que elas tenham surgido em colégios da cidade. “Estão circulando esse tipo de lista nos municípios próximos. Começou com ‘os mais chatos’ de Guaxupé. Depois disso, criaram os ‘mais gays enrustidos’ e, agora ‘as mais putas’. Suponho que a lista tenha começado em algum colégio da cidade. Mas, a partir do momento que passa a circular no WhatsApp, perde-se o controle”, afirmou o delegado.

Moradores da cidade, principalmente as mulheres, denunciaram o crime à polícia. Já em relação à lista dos “mais gays”, não há, ainda, nenhum registro de ocorrência denunciando o crime.

Para Dalcira Ferrão, psicóloga, conselheira-presidente do Conselho Regional de Psicologia Minas Gerais e militante LGBT, a circulação desse tipo de lista nas redes mostra lógicas machistas e LGBTfóbicas rotineiras. “O conceito e a ideia da diversidade sexual ainda causa muitos desconfortos, principalmente, quando estamos falando de mulheres, que têm sua liberdade ao corpo e seu direito à sexualidade negados historicamente”, pontuou a especialista. Ela acrescenta que é importante que as vítimas recebam suporte e apoio não só profissional, mas de amigos e familiares para que não tenham autoestimas abaladas, quadros de isolamento, de fobia social, depressivos ou até mesmo quadros psíquicos mais graves.

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