Um professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP, durante uma das aulas, relacionou distúrbios de tireoide como motivo para o “desenvolvimento” de “homossexualismo, masculinização das mulheres e desvirilização dos homens”.

Registrado por uma aluna, o slide projetado na aula do último dia 25 mostrava as relações que a doença poderia ter com o desenvolvimento de “sintomas” homossexuais. Nas redes sociais, a discussão é enorme. Alunos acusam o professor de declarações de cunho machista e homofóbico.

Simões, que ex-técnico olímpico da seleção brasileira masculina de handebol, afirmou que tudo não passou de um mal-entendido entre os alunos, e não deu explicações sobre o teor da aula. Já a Escola de Educação Física disse estar “empenhada em contribuir para a educação, direitos humanos, democracia e preservação dos direitos à diversidade”. O caso foi encaminhado para o Núcleo dos Direitos Humanos da USP.

O QUE DIZ A CIÊNCIA

Segundo Alexandre Hohl, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, não existe provada qualquer relação entre tireoide e sexualidade de pessoas LGBT. “É um equívoco as pessoas irem para áreas que não são do seu domínio, seja na graduação ou na pós-graduação”, disse.

Já o endocrinologista Ricardo Botticini Peres, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirmou que a virilização e masculinização são doenças associadas a tumores adrenais ou ovarianos e a certas doenças genéticas. “Quando a doença está avançada, é possível que haja disfunção sexual, diminuição da libido e alteração menstrual, mas esses são sintomas secundários à baixa do hormônio tireoidiano”, explicou.

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