No dia 15 de fevereiro deste ano, Dandara entrou para as estatísticas que formam um panorama assustador: a cada 25 horas, uma pessoa morre vítima da homofobia no Brasil, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB).

O caso da cearense poderia ser mais um entre muitos que são ignorados. Só não foi porque um vídeo em que a travesti, já coberta de sangue, aparece sendo espancada e xingada por um grupo de homens caiu na internet.

Esse mesmo vídeo apareceu nas redes sociais de Francisca Ferreira, mãe de Dandara, que sem querer assistiu as últimas imagens da filha em vida. “Ele ficou lá, quieto, sem falar nada, esperando a morte”, lembra a aposentada, que chora. O relato é um dos pontos altos do documentário de curta-metragem Dandara, que estreia neste domingo (19), às 15h30, no Festival Mix Brasil. Haverá também sessão na terça-feira (21) às 19h30. Ambas acontecem no CCSP (Centro Cultural São Paulo), na capital paulista.

O filme deriva de uma grande reportagem que os jornalistas e diretores do curta, Fred Bottrel e Flávia Ayer, do jornal Estado de Minas, realizaram sobre o caso. Eles viajaram para Fortaleza, onde, um mês antes, Dandara havia sido morta a tiros após a sessão de tortura. O material que colheram, como depoimentos de familiares e amigos, “merecia um tratamento mais longevo”, na opinião de Fred. “A gente entendeu que a história de Dandara precisava ser contada de forma mais profunda, e também circular por outros públicos”, explica o diretor ao Portal da Band.

A dupla, que passou um mês na capital cearense, pensou ainda em um jeito diferente de começar o filme. “Inserimos um conceito para que o expectador se coloque no lugar de Dandara. Colocamos a câmera como plano subjetivo dentro do carrinho de mão [objeto para carregar a travesti após as agressões] e circulamos pelo mesmo local onde a violência toda aconteceu”, conta Fred. “É um exercício de empatia mesmo”, definiu.

Confira o trailer!

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