Você há de concordar que vivemos um momento único de debates sobre preconceitos enraizados em nossa sociedade. E eles são necessários, afinal, o Brasil ainda é um país muito racista, machista e homofóbico. Mas uma padaria da Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, foi além e mudou o nome de um dos seus produtos. Eles batizaram a torta que é popularmente chamada de “nega maluca”, guloseima feita inteiramente à base de chocolate, de bolo afrodescendente.

“Foi por causa dessa onda do politicamente correto. Estou seguindo uma linha de respeito”, disse o proprietário da padaria Pão da Praia, Gilberto Ponce Dias, em entrevista ao site G1.

A padaria existe há 10 anos e o empresário conta que o doce sempre teve esse nome. “Aconteceu [com a nega maluca] a mesma coisa que aconteceu com o negrinho. Negrinho aqui na padaria é brigadeiro”, exemplifica, contrariando a expressão tão usada no Rio Grande do Sul para se referir ao famoso doce brasileiro.

Apesar da aparente boa intenção, a atitude de Gilberto divide opiniões. “As pessoas comentam muito. Mas já teve incomodação. Tem gente que fala que isso é uma atitude racista. Argumento que não. A crítica faz parte, claro. Mas eu fiz isso por respeito”, afirma.

A iguaria é servida em duas opções: com doce de coco e doce de leite, e custa R$ 26 o quilo. Segundo ele, é um dos produtos mais vendidos no estabelecimento. “O pessoal procura muito por ele. Porque a torta é boa mesmo, mas também porque o pessoal acha interessante”, afirma.

Por enquanto, ele não pensa em alterar o nome do produto. “Só se houver um problema sério. Mas acho que não”, diz Poncio, que em 25 anos no segmento jamais tinha visto a nega maluca virar bolo afrodescendente.

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Fonte: G1

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