Peço desculpas antecipadas por invadir sua timeline com uma notícia dessas, mas ela é importante pra gente perceber como o conservadorismo tem ganhado força, principalmente nos Estados Unidos, com a eleição de Donald Trump, e como precisamos discutir a representatividade nas casas legislativas de todo o mundo.

Uma deputada do Texas está propondo uma lei que multa homens em US$ 100 dólares (cerca de R$ 320) a cada vez que eles se masturbarem. Além disso, todos os homens também ficariam sujeitos a uma espera de 24 horas se quiserem agendar uma colonoscopia, vasectomia ou se quiserem comprar medicamentos como Viagra, por exemplo.

Agora vem a grande sacada: na real, a deputada Jessica Farrar, que é do Partido Democrata (de Obama e Hilary), admitiu à CNN que não tem muitas esperanças de que sua proposta seja aprovada. Ela afirma que sua intenção é chamar atenção para pessoas tendo seus direitos determinados majoritariamente por legisladores do sexo oposto. O Texas é um dos estados onde as autoridades mais dificultam o acesso ao aborto.

Na justificativa, a lei propõe multar os homens pela masturbação porque o comportamento representaria uma falha na preservação da santidade da vida e “um ato contra uma criança não nascida”.

“Vamos ver o que o Texas tem feito pelas mulheres. E se os homens tivessem que passar pelos mesmos procedimentos intrusivos?”, questionou.

A relação é diretamente citada no nome proposto para a lei, “A Man’s Right to Know Act” (“Lei O Direito de um Homem Saber”), uma versão do nome de um panfleto que médicos são obrigados a entregar a todas as mulheres que buscam informações sobre abortos no estado, “A Woman’s Right to Know”.

Segundo a CNN, o folheto é criticado por ativistas e médicos por seu teor religioso, que visa influenciar as mulheres a desistir do procedimento, e por erros como a sugestão da relação entre abortos e câncer de mama, já cientificamente comprovada como inexistente.

O Texas não permite abortos a partir da 20ª semana de gestação, a não ser que a vida da mãe esteja em risco. Mesmo em casos que a criança não tenha chances de sobreviver, a gravidez deve ser completada.

Nos últimos quatro anos, o estado implementou leis que ampliaram as exigências sobre as clínicas que podem realizar o procedimento – posteriormente derrubadas pela Suprema Corte – e atualmente apenas 18 em todo o estado têm autorização. No mesmo período, o número de mulheres que morreram de complicações relacionadas à gravidez dobrou e o estado tem atualmente a maior taxa de mortalidade materna do mundo desenvolvido, de acordo com a CNN.

Encontrou algum erro no post? Fale pra gente!