Após uma perícia da Polícia Civil do Distrito Federal, foi constatado que o vídeo divulgado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), sobre o cuspe de Jean Wyllys (Psol-RJ) em seu pai, Jair Bolsonaro, no dia da abertura do processo de impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), é falso.

O vídeo foi divulgado no dia seguinte ao impeachment da petista, em uma das redes sociais de Eduardo. Enquanto defensores de Bolsonaro defendem que o ato de Jean Wyllys foi premeditado, Wyllys justifica que apenas reagiu aos insultos do parlamentar, que o teria chamado de “queima rosca”, “bichinha” e “veadinho”, entre outros insultos homofóbicos.

Na gravação publicada, legendas mostravam que, em uma fala inaudível de Wyllys com Chico Alencar (Psol-RJ), Wyllys dizia “eu vou cuspir na cara do Bolsonaro, Chico”. Com isso, o vídeo passou a ser visto como foi apresentado no conselho como prova de acusação pelo deputado Alberto Fraga (DEM-DF) de que o ato havia sido premeditado.

No entanto, de acordo com a Polícia Civil, a fala de Wyllys aconteceu depois do episódio do cuspe, e Wyllys também falou outra coisa: “Eu cuspi na cara do Bolsonaro, Chico. Eu cuspi na cara do Bolsonaro. Eu cuspi!”.

Com isso, o vídeo publicado por Bolsonaro será descartado como prova contra Jean Wyllys, que responde no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar.

A equipe do deputado do Psol acredita que o resultado dessa perícia será suficiente para determinar o arquivamento do processo. O deputado ainda deve avaliar se representará no conselho contra os deputados Jair e Eduardo Bolsonaro, além do póprio Alberto Fraga, por quebra de decoro parlamentar.

Em abril, Wyllys chegou a confessar que realmente havia cuspido em Bolsonaro e disse que não temia um processo legislativo. “Na hora em que fui votar, esse canalha decidiu me insultar na saída e tentar agarrar meu braço. Ou foi alguém que estava perto dele. Quando ouvi o insulto, devolvi com um cuspe na cara dele, que é o que ele merece”, destacou o deputado do Psol.

Jean Wyllys reafirmou que cuspiria em Bolsonaro novamente. “Não temo enfrentar processo. Processo tem de enfrentar quem é machista, quem é racista, quem promove a violência, quem defende a memória de Brilhante Ustra – um torturador –, quem defende a tortura nesse país. Isso deveria escandalizar vocês, não o cuspe na cara de um canalha”, afirmou.

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