Estamos todos escandalizados com o estado calamitoso do atual desgoverno. Um momento especialmente difícil para nós LGBTs. De um lado temos o governo petista, que sempre foi considerado um grande aliado e que rifou de todas as formas os lgbts, de outro lado uma oposição que tem boa parte de reacionários e declarados homofóbicos.

Não esquecemos de todas as promessas de Lula e Dilma para os LGBTs, a responsabilidade pela presença do Feliciano na comissão de direitos humanos; o cancelamento do programa “escola sem homofobia” numa negociação com fundamentalistas para salvar um de seus comparsas (Palocci) e ainda justificando que não fará defesa de “opção sexual”; Padilha revogando portaria que beneficiava as transexuais; em 2014 veio com novas promessas e uma parte do movimento LGBT (aqueles que trabalham no governo claro) pediram uma segunda chance, o PT promete novamente a criminalização da homofobia (ignorando a transfobia como sempre); nova mentira e nunca mais se toca no assunto; depois quando a os termos “identidade de gênero e orientação sexual” são retirados de mais de 800 escolas num surto de histeria e deturpação causada pelo Cunha (ex aliado do PT) e mercadores da fé, não se escuta uma palavra do Ministro da educação ou da presidenta, o governo não se preocupa com a crescente escalada de homotransfobia nas escolas e nas ruas e deixa vereadores por todo país tripudiarem, inclusive levando freiras rezando para dentro das câmaras de vereadores; uma vereadora do PT tenta impedir a parada LGBT da sua cidade e o governo segue em silencio conivente; nos últimos dias a presidenta retira as mulheres transexuais da lei de feminicidio, deixando claro que as vidas destas não valem nada para o governo.

É difícil criticar o governo ao lado da escória reacionária que o critica por outros móvitos, gente que odeia pobres, que é homotransfóbica e dos trio de patetas Bolsonaro, Feliciano e Malafaia que pilantras como são embarcaram na onda anti PT. Eu, como socialista e militante que sou, sinto na pele e alma a dificuldade de estar sequer perto dessa escória. Mas não chego ao ponto de esquecer que os três patetas foram grandes aliados do PT, cresceram sob governo destes e agora mordem a mão que os alimentou. Isso é o que acontece com quem cria cobras (ou jararacas) elas podem sempre te picar.

Tenho medo sim do que vem pela frente, o lulismo destruiu a imagem de esquerda, para os reacionários todo LGBT é um petista e um bandido, as esquerdas estão dividas perdias e os conservadores ganharam, voz, força e apoio popular. Levaremos anos para reconquistar o espaço que este partido nos fez perder.

Não vou marchar ao lado de homofóbicos, transfóbicos, machistas, racistas e reacionários, mas tampouco não venham me pedir terceira chance para o governo que os fez crescer, governo com eles (Crivela, Garotinho, Macedo e no passado com os 3 patetas), não vou me aliar com uma facção criminosa que destruiu o meio ambiente, matou indígenas, aumentou a morte de lgbts, fez a taxa de infecção de HIV crescer em 11% em lgbts, ignorou a homotransfobia nas escola, se calou diante do preconceito contra nós e agora usa os militantes cooptados, para através do medo, nos impulsionar a defender o indefensável.

O Brasil parece a série do Netflix House Of Cards numa versão mais alucinante, mas não vai ser na base do terror que os governistas irão nos convencer e fazer com que os LGBTs sejam igualados e associados com quem destruiu nosso país.

Devemos temer que na divisão das forças progressistas, aquilo que existe de pior assuma o vácuo de poder. Para isso ambos os lados devem deixar os culpados serem julgados e condenados, sem criminosos de estimação e buscar novas lideranças e conquistar o espaço. É momento de mostrar que não somos coniventes, que nem todo LGBT é governista ou compactua com a atual situação.

O Brasil não se divide entre petralhas e tucanos. Somos muito mais, somos coloridos, somos diversos e devemos nos unir e deixar que todos os culpados (de todos os partidos) sejam julgados e condenados.

No mais espero que tudo se resolva, sem pancadas na rua, sem guerras civis e sem a quebra do regime democrático de direito ou da democracia conquistada à duras penas.

Nós não nos submetemos ao terror. Nós o criamos
Underwood;

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