Algo que aprendi com amigos e amigas transexuais, foi dissociar o sexo biológico de gênero. Nos apaixonamos e nos atraímos pela figura masculina ou feminina (ou por ambas!), mas não por um genital. É claro que ser mulher ou ser homem é algo que se caracteriza por outros fatores muito mais relevantes além de um mero órgão que você carrega entre as pernas. Desde que se entende por gente, você sente e vai entendendo o que é. Mas no caso de algumas pessoas – as trans – o corpo biológico não necessariamente correspondeu ao gênero que entendiam, sentiam e esperavam ter.

Normalmente este debate provoca a ira e indignação de conservadores e retrógrados, sempre afirmando que, o que caracteriza o homem é o pênis, e uma mulher, a vagina, que homem nasce homem e mulher nasce mulher… Enfim, se deixar tocando Bolsonaro ou Malafaia no shuffle, a gente ouve isso a torto e a direito.

Mas será mesmo que as pessoas por aí associam diretamente gênero masculino ou feminino aos genitais? Saímos às ruas para testar, e para a nossa surpresa, ao perguntar algo simples como “O que caracteriza uma mulher pra você?” ou “O que é ser mulher?”, NINGUÉM respondeu “ter vagina” ou “ter um genital feminino”. “Ter força”, “Enfrentar preconceito”, “Ser linda”, etc, foram as falas mais citadas sobre o que as pessoas entendem por “ser mulher”.

Aí que, em seguida, jogamos outra pergunta: “E pessoas trans?” ou “E se essa pessoa nasceu biologicamente com um genital masculino?”, ou ainda, “E se foi designada homem ao nascer?”. Eis que, ENTÃO, SÓ AÍ, as pessoas se lembraram da existência do órgão genital, e com isso, do próprio preconceito embutido.

É um experimento interessante de assistir, e que revela a hipocrisia ou ignorância de muita gente. As reações foram as mais diversas. Desde – como era de se esperar – retrógrados reafirmando frases que ouviram do pastor da igreja, até idosos que nos surpreenderam dando show de esclarecimento e sabedoria, mesmo fazendo parte de uma geração em que essas questões não eram debatidas como hoje. Vale a pena assistir:

Já no segundo vídeo dessa série especial de Dia das Mulheres do Põe Na Roda, nada poderia ser mais adequado do que perguntar para as próprias: Afinal, o que é ser mulher? Mulheres trans, mulheres cis, tanto hétero quanto bissexuais ou lésbicas, responderam suas visões pessoais, nos ensinando e emocionando ao mesmo tempo.

Vale a pena prestar atenção principalmente no trecho em que mulheres trans explicam, com todo conhecimento de causa, como, por que e desde quando se entenderam mulheres. Renata Peron, por exemplo, deixa claro que “tem piu-piu e é mulher sim”, já Mandy Candy, adaptou o seu a uma vagina, mas nem por isso se sentiu diferente da mulher que sempre soube que era. Assista:

Um feliz dia das mulheres para TODAS AS MULHERES: as que nasceram e as que se entenderam. Todas guerreiras e sobreviventes deste mundo machista. Parabéns, meninas!

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