Amigos, é com muito pesar que faço esse primeiro post de 2013. É triste começar um novo vivendo essa estupidez toda. Abaixo, transcrevo um texto enviado por Donna Piedade, lindíssima, loiríssima, conhecida pelo seu Sunset Party mais do que friendly e pela sua luta pela causa LGBT no Brasil, no qual sua amiga, Keyllen Nieto coloca em palavras o ato discriminatório sofrido por dois amigos em no bar Paraty 33 em Paraty. Donna convida a todos que estão em Paraty para participarem do Beijaço em frente ao bar hoje, 22h30min.

“Foi-se 2012 e chegou 2013. Apesar do significado da virada do ano, da sensação de novos começos e de renovação, há situações que imediatamente nos retornam à realidade e nos lembram como os velhos problemas persistem, os desafios diários e as dificuldades não se esvaem e a luta continua.

Foi na celebração da ressaca do ano novo, no dia 1 de janeiro, quando as pessoas festejavam a alegria de estar num lugar paradisíaco, acolhedor e bem reputado pela diversidade de seus públicos e a interação pacífica entre eles. Paraty é em verdade um recanto das benesses desta terra brasileira com um toque especial de refinamento que foi quebrado com uma ação de intolerância e desrespeito abominável que teima em contaminar até os lugares menos esperados. Homofobia escancarada, praticada não por um transeunte qualquer, mas pelo dono da boate Paraty 33, talvez a balada mais conceituada da cidade.

Um simples beijo entre dois amigos gay motivou essa pessoa a pedir que eles se retirassem do lugar. “Não quero homens se beijando no MEU estabelecimento”, foi a justificativa, reforçada pela presença de capangas dispostos a fazer cumprir a disposição autocrática desse indivíduo. Feito o devido B.O., ficou a sensação de impotência de não se sentir amparado por uma lei, por uma presença assertiva do Estado na qual não existam interpretações dúbias do que significa liberdade de expressão e de exercício livre da personalidade.

Pessoalmente, acho que já existem leis que protegem qualquer pessoa que se encontre neste país de ações como as narradas. Porém, cada vez mais me convenço da necessidade de incluir explícita e detalhadamente os atos homofóbicos nas leis anti-discriminação que regem a constituição nacional, pois só assim existirá clareza para todos sobre os direitos e deveres que lhes são outorgados população LGBT. Fazer com que essas leis sejam efetivamente aplicadas será o seguinte passo.

Enfim, enquanto as leis não são promulgadas e os agentes do Estado não são treinados e sensibilizados, aqui vamos nós, GLBTs e simpatizantes, exercermos o direito ao protesto, à manifestação pacífica e a viver em segurança. Hoje tem beijaço e muito barulho na frente do Paraty 33!!”

Encontrou algum erro no post? Fale pra gente!